Das coisas que se mostraram fiéis e necessárias para compreender o motivo de estar aqui
Nesse momento, escrevo esta introdução sentado em minha cadeira de escritório. Penso em o que preciso dizer para que toda pessoa ingressa neste antro entenda o que pode encontrar. É um desafio duplo para mim: primeiro porque não escrevo de forma direta, como já pode ter percebido, e segundo porque nunca tive um blog na vida e não sei bem qual é a formatação que seria proveitosa para este tipo de veiculação. Creio, portanto, que esse prolegômeno será tão desafiador para você quanto será para mim. De alguma forma, isso nos torna mais próximos.
Temos mais em comum do que você pode imaginar. Para além daquelas características essenciais próprias de ser humano, e dos acidentes que eventualmente nos acometem em sintonia, estamos imersos em uma mesma dificuldade: entender o que é este espaço virtual denominado “vox intus” e o que podemos esperar encontrar aqui. Essa dificuldade em comum, porém, tem formatações distintas: é difícil para mim porque preciso dizer o que irá encontrar, e é difícil para você porque deve entender o que estou dizendo e verificar se o que estou dizendo é verdade. E creio que esse seja o primeiro do requisito para todo e qualquer leitor interessado estar aqui, a saber, a compreensão de que este é um lugar onde a dificuldade de expressão encontra a dificuldade de apurar o que é real.
O que isso significia? Que você, leitor interessado, está aqui porque tem interesse de estar aqui. Se não tem interesse de estar aqui, independente de quem seja, creio que deveria buscar ler outro texto que lhe apeteça mais, pois não encontrará uma leitura de descanso e fluidez. Muito pelo contrário: existe naturalmente nestas páginas uma prolixidade que me é própria, e que, apesar do muito esforço empreendido até então, não consegui vencer. Não se trata de pedantismo ou coisa congênere, mas uma constatação de fato. Escrevo de forma difícil, e aprendi que isso será assim até que em um momento lancinante isso venha a mudar. Até lá, o primeiro requisito terá de ser imanente a você, leitor interessado. Você deve compreender que está aqui sabendo que não serão leituras feitas com a preocupação de quem irá ler, e sim com a necessisade de expressar uma busca sincera e honesta pelo o que é real.
Esse, inclusive, é o segundo requisito para todo o leitor interessado: a compreensão de que escrevo estes textos porque estou em uma busca honesta e sincera do que é efetivamente o real.
“Como assim ‘do que efetivamente é o real’?“.
Em meus anos de vida, tenho percebido que existem coisas que vivemos que são reais, e existem coisas que buscamos viver mas que não são reais de fato. Não falo aqui de experiência, do resultado captado pelos sentidos, em que pese serem reais também. Falo de algo mais radical, mais fundamental, que é a característica que torna esses coisas reais em si mesmas.
Um sonho, por exemplo, é produzido pela mente com base naquilo que experienciamos, mas ele não é real no sentido que me refiro. Um romance conta histórias que nos fazem sentir alegria, tristeza, medo, raiva, rancor, e outros sentimentos, mas a história em si não é real na maneira como me refiro. Ideologias e preconceitos fazem com que tomemos decisões, busquemos ajuda, afastemos ou nos aproximemos de pessoas, mas também não são reais na maneira como me refiro. Uma especulação sobre o futuro, sobre pessoas ao nosso redor e sobre os nossos objetivos de vida podem nos levar a ter ansiedade, depressão, euforia ou até mesmo apatia, mas também não são reais no sentido a que me refiro. Tudo isso são coisas que não são ‘reais’ no sentido que estou usando, em que pese acontecerem em nossa vida e direcionarem boa parte do que fazemos.
Existem coisas que são evidentemente reais, como as sensações por exemplo. Você está lendo esse texto, logo, está em contato com ele de alguma forma, por algum sentido. Isso é real, inegavelmente. Porém, existem coisas que não são evidentemente reais, e geram inclusive dúvida sobre sua constituição e existência. Por exemplo: os números. Você nunca viu um número, só os representou de alguma forma. Nunca viu um número ‘1’ andando por aí, bem como nunca viu a raiz quadrada de ‘105’ parada no meio do nada. Ao mesmo tempo, dificilmente se nega que os números existem, já que por meio deles conseguimos empreender modificações reais no mundo em que vivemos, prevendo ou compreendendo fenômenos que são inegavelmente reais.
Outro exemplo é o Estado. O Estado não é algo que se possa tocar, cheirar ou ver. Podemos ver estruturas que são construídas em nome do Estado, pessoas que agem e recebem dinheiro para agir em nome do Estado ou mesmo conflitos e decisões que são tomadas em prol de defender algo que chamamos de Estado. O Estado inegavelmente motiva e é revestido de um conjunto de coisas e pessoas que lhe dão aparência de real, mas resta a dúvida se ele em si é real mesmo. Afinal, sonhos e ideologias não são reais, mas podemos construir prédios em nome deles e pagar pessoas para que os defendam. Isso os torna mais reais? Algo que tento compreender.
Um outro exemplo ainda seria a compreensão sobre Deus, mas esse tópico para mim não é matéria de investigar se Deus é real, e sim sobre como demonstrar isso racionalmente (não necesariamente pelo método científico ou pela metafísica clássica). Eu tenho convicção de que Deus é real, e minha reflexão nesse sentido é tão somente para encontrar formas melhores e mais didáticas de demonstrar isso às pessoas.
Meu objetivo, portanto, é entender o liame, o abismo, a distinção que separa o que é efetivamente real do que é meramente ilusório ou virtual.
Assim, tudo o que irá ler e o que irá encontrar aqui são digressões de minha voz interior (por isso o nome vox intus) tateando o que se pode chamar de unidade do conhecimento e unidade da consciência. Da mesma forma como tantos outros que vieram antes de mim, escrevo porque quero entender e expressar o que a vida real significa, e como ela se organiza. Esse é o meu objetivo, e saber disso é o segundo requisito para o leitor interessado.
O terceiro requisito é talvez o mais modesto, mas também o mais custoso. O leitor interessado precisa ter a compreensão de que estou aqui para investigar, e isso exige muita honestidade e muita sinceridade. Honestidade porque preciso agir de acordo com o que sei, e sinceridade porque preciso ser claro com aquilo que sei o que não sei. Logo, não estou aqui para te convencer de algo, ou para fundamentar teorica e academicamente meus pontos, apesar de fazer essa última coisa muitas vezes por costume. Estou aqui para investigar, e preciso que saia disso, porque deve ler sabendo que estou investigando e tentando fundamentar a minha investigação.
Isso implica em dizer que não estou aqui para discutir com você. Se quiser debater, podemos debater em momentos oportunos, a convite. Porém, nunca discutirei com você sobre nada, porque é natural que investigações gerem debates, mas não é razoável e nem desejável que gerem discussões.
Dito isso, creio que não haja mais requisitos necessários, além daqueles que já lhe trouxeram aqui (compreender Português, ser um ser humano racional, saber ler, etc.). Saiba que é esse o meu intuito com esse canal, e nada mais. Se for um leitor interessado e estiver disposto, pode continuar. Se não, há muitas outras coisas melhores que pode fazer, e sugiro fazê-las.
É um prazer receber você aqui. Um dia estaremos juntos.
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